Bruno Cabral: um dos pioneiros no movimento de valorização dos queijos brasileiros

Por Leticia Rocha

Uma loja toda dedicada ao queijo. Na prateleira estão brie, reblochon e raclette, famosos queijos europeus que disputam a atenção dos clientes com os nacionalíssimos requeijão de corte, serra da canastra, minas curado. Há cerca de uma década, seria impensável visualizar um negócio como a Mercearia Mestre Queijeiro no Brasil.

Criada em 2014, em São Paulo, ela foi pioneira no segmento e possui cerca de 40 variedades, em média, do produto tema da casa. E que fique claro: apesar de alguns nomes europeus, tudo é de fabricação nacional!

Tarefa de garimpo que fica a cargo de seu idealizador, Bruno Cabral, paulistano que especializou-se na área durante oito anos na Europa. Na Espanha, estudou Gastronomia na Escola de Restauração e Hotelaria de Barcelona e formou-se Mestre Queijeiro em um curso oferecido pelo governo da Catalunha.

Por lá, ainda tornou-se “Maïtre Fromager Affineur”, ofício pouco conhecido até os dias de hoje no Brasil, que consiste em cuidar do refinamento e da finalização de um queijo, levando em consideração a personalidade do produto e a do cliente que vai recebê-lo. “Alguns queijos são de inspiração europeia, porque as receitas vêm de lá, mas o sabor é de cá. A qualidade dos queijos nacionais está excelente, como nunca foi. A inquietude do produtor somada à exigência do consumidor deu um resultado incrível. Mas podemos ir além e temos que sempre buscar mais”, acredita Bruno.

O projeto Mestre Queijeiro é um conceito que Bruno trabalha no país desde 2011. Naquele ano, o paulistano rodou mais de 7 mil km desbravando Minas Gerais, estado recheado de tradições quando o assunto são os queijos artesanais brasileiros. Seu intuito foi conhecer produtores e técnicas locais, bem como conscientizá-los de aspectos importantes como criação e manutenção de padrão. “De lá para cá, a mudança mais importante é a do comportamento, tanto produtores como instituições regionais e nacionais passaram a perceber o queijo como algo importante e vantajoso. Alguns produtores, que representam a minoria ainda, vivem na clandestinidade e escondidos, mas os que decidiram dar um passo à frente estão num momento privilegiado”, pontua. “Não há como negar que a legislação continua sendo um entrave, mas hoje podemos dizer que temos esperança, o que era impensável dez anos atrás”, conclui o mestre queijeiro.

Hoje, como autoridade no assunto, Bruno é organizador do Prêmio Queijo Brasil e o único sul-americano a integrar o júri do World Cheese Awards, o maior concurso do segmento no mundo. “ Tivemos algumas medalhas em concursos internacionais como o Queijo Tulha no World Cheese Awards em 2016. O resultado destes prêmios é mais importante interna do que externamente. Ainda temos que explorar o mercado nacional, para onde são voltadas as produções artesanais”, conclui o especialista.

Mestre Queijeiro
www.mestrequeijeiro.com.br