Guga Rocha: da infância na cozinha aos programa de TV

Novo embaixador do Instituto Brasil a Gosto, o alagoano traz sua pesquisa sobre cozinha de comunidades tradicionais para unir forças com o trabalho #pelacozinhabrasileira

 

Se você gosta de programas de culinária, certamente já ouviu falar o nome Guga Rocha. Se é fã de gastronomia brasileira, também. O alagoano transita por muitas áreas, mas sempre com o mesmo objetivo: espalhar conhecimento sobre a culinária nacional. E foi isso que motivou o convite da chef Ana Luiza Trajano, fundadora e presidente do Instituto, para que Guga seja embaixador do Instituto Brasil a Gosto, enquanto ela se dedica a um projeto de pesquisa e complementação de sua formação gastronômica na França e abre frentes de trabalho para o Instituto pela Europa.  “Eu e Ana Luiza partilhamos o amor por nosso povo, pelo Brasil e pela tradição de nossa cozinha. Ser convidado para ser o embaixador do Instituto Brasil a Gosto é, antes de tudo, uma grande alegria. Vamos unir minha pesquisa de mais de 10 anos sobre cozinha de comunidades tradicionais à força do Instituto, salvaguardar as receitas e tradições desses povos, gerar oportunidades e fomentar desenvolvimento através da cozinha.”

 

Como Ana Luiza, Guga vem de uma família com forte tradição culinária. “Minha avó era uma grande chef de cozinha no Nordeste. Estudou cozinha francesa clássica e fazia bolos de casamento em Alagoas e outros estados, além de ter um serviço de bufê”, conta. Era ajudando a avó que o pequeno Gustavo negociava seus desejos com o pai. “Sou apaixonado desde muito cedo pela culinária”, completa.

 

Como achava que comandar panelas não servia como profissão, só como paixão, Guga cursou administração, marketing e até prestou direito. Mas nenhum dos cursos dava a ele o mesmo prazer da gastronomia. Por isso, há 20 anos, decidiu se voltar de vez à cozinha.

Em 2014, o alagoano chegou à final do Super Chef, reality show culinário que fazia parte do programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, e ganhou visibilidade nacional. De lá, surgiu o convite para participar do Homens Gourmet, programa do canal a cabo FOX. E a fama só aumentou daí em diante.

 

Como pesquisador, Guga Rocha também rompeu as fronteiras do país e mergulhou na cultura gastronômica mundial. “Estagiei em restaurantes fora do Brasil, viajei para mais de 40 países. Gosto de conhecer a cozinha e a cultura, entender os povos e as raízes das pessoas. Procuro entender como chegaram àquela conclusão culinária, por que alcançaram determinado desenvolvimento. Mais do que compreender as receitas, quero saber dos costumes e tradições”, diz.

 

“Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo, não consigo viver de outra forma. Quando estava na TV, fazia, paralelamente, uma pesquisa sobre a cozinha dos quilombos, à qual pretendo dar mais luz com ajuda do Instituto Brasil a Gosto. Escrevi dois livros que foram lançados pela editora Matrix e viajei o mundo inteiro com a APEX mostrando a cozinha brasileira em feiras”, diz. Por conta desse lado desbravador, ele conta, Guga nunca quis abrir um restaurante próprio. “Se todo mundo quisesse ser goleiro, não ia ter atacantes para fazer gols. Temos que ter players em todas as posições. Minha ideia sempre foi buscar as raízes do nosso país, descobrir de onde veio nossa cozinha e nossa cultura e trabalhar com essa culinária”, conta.

 

Entre seus muitos projetos está uma rede de tapiocarias, a Tapioteca, que já tem duas lojas em aeroportos, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além disso, assina o cardápio de um bar em Lisboa, com comidas luso brasileiras, chamado Canil. “Acho importante treinar a nova geração e trazer para a cozinha o amor pelo Brasil, o conhecimento dos nossos ingredientes e até a valorização das coisas mais simples”, diz. Tanto trabalho em prol da culinária brasileira rendeu ao chef, em 2017, duas comendas da Câmara de Vereadores de São Paulo: Grã Ordem da Gastronomia e Hotelaria e a Comenda Juscelino Kubitscheck.