Joanna Martins, 38 anos, carrega um legado e tanto: divulgar a cultura da gastronomia paraense pelo Brasil e pelo mundo. Coisa que ela faz com muito primor, já que nasceu em uma família que, digamos, veio com esse propósito no DNA. Joanna é filha de Paulo Martins (1946-2010), tido como o embaixador da cozinha paraense e precursor da valorização dos ingredientes brasileiros no mundo. Por esse trabalho, Paulo é considerado mestre por grandes profissionais da nossa gastronomia, como Alex Atala, Mônica Rangel e Guga Rocha, embaixador do Instituto Brasil a Gosto.  

Hoje à frente do Instituto Paulo Martins, criado em 2012 em homenagem ao patriarca, a morena de olhar doce, publicitária  e administradora por formação, encara o desafio de ocupar o posto de diretora-executiva da entidade que tem como premissas preservar o legado de Paulo, além de continuar na batalha em prol das riquezas do Pará. Em paralelo, ela também comanda a Manioca Brasil, empresa dedicada a distribuir pelo mundo a enorme diversidade da Amazônia, em forma de tucupi, castanhas, farinhas in natura, além de molhos e geleias. Todos esses produtos, vale lembrar, por muito tempo só circularam entre chefs e cozinheiros de outros estados na informalidade, praticamente contrabandeados na mala de quem partia do Pará.  

 

Em sua 15a edição, o renomado festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, idealizado por Paulo, também está sob a curadoria e coordenação de Joanna. Mas, ela não faz tudo isso sozinha. A seu lado está uma equipe feminina de peso. Sua irmã Daniela, a mais velha e chef, é quem assumiu todas as questões ligadas à gastronomia, na prática comanda o restaurante da família, o Lá em Casa, em Belém. A mãe, Tanea, supervisiona tudo e também pega a estrada para encontrar um produto em algum vilarejo distante ou garimpa uma receita ou arquivo. Juntas, as três se empenham para manter o nome da família no desenvolvimento da gastronomia amazônica através do incentivo à pesquisa, à educação e à divulgação.

 

Nesse percurso profissional, naturalmente Joanna se tornou também uma ávida pesquisadora e ativista. É ela a responsável por projetos como a I Conferência Livre de Gastronomia da Amazônia; o Projeto Editorial Culinária Papa-Chibé; o Projeto Educacional Broca Pai D’égua (24 horas); e o Curso CUIA – Culinária Imersiva Amazônica, 1º Curso de Cozinha Amazônica do Brasil (72 horas). Em 2018, ela ainda criou o Grupo Pura Amazônia, organização setorial que reúne 20 pequenas indústrias de alimentos e bebidas, de Belém e arredores, e a levou a ser reconhecida como Empreendedora do Ano pelo Conselho da Mulher Empresária da Associação Comercial do Pará. Trabalho #pelacozinhabrasileira e pela Amazônia é que não falta nessa trajetória de batalhas!

 

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