Heloísa Bacellar é afago, sentimento, ternura. E, como ninguém, transmite isso para tudo o que faz, seja na cozinha de casa (um parque de diversões para quem ama panelas e fogões), seja na do restaurante, o Lá da Venda. A paulistana é do bolo de fubá, da torta de palmito, do arroz de forno. E desde sempre. Muito antes de tudo isso virar tendência gastronômica e estratégia de marketing – vide a popularização das hashtags #comidadeverdade e #comfortfood. 

 

E deixou isso claro lá em 2009, ao abrir o Lá da Venda, na Vila Madalena, em São Paulo, no formato das tradicionais vendinhas do interior do Brasil – com direito a P.F. na marmita, bolo quentinho e um docinho, além de caneca de ágata, cigarro de palha e pano de prato, tudo pra vender. Não podia faltar, é claro, um balcão para a prosa, porque ela é das palavras. “A Venda me representa! É a minha vida. Sou uma pessoa puro açúcar desde sempre e ‘feita’ na panela. Não sei viver diferente e nem ser diferente, portanto reforçarei a todos a importância da doçura na vida, sempre. Seja com açúcar ou mel. Não é natural se privar disso. De vez em quando tem que poder, mesmo que seja uma mordida de uma fruta muito doce”, conta Helô. 

 

Ela é também das letras e já lançou cinco livros no Brasil e dois na França. São eles: Cozinhando para amigos (2005), Cozinhando para Amigos II – entre panelas e tigelas, a aventura continua (2008); Bacalhau – receitas e história – das águas geladas às caçarolas,(2009); Chocolate todo dia – 119 receitas para todo mundo se derreter (2010); Brasil à Mesa (2014); Cozinha Brasileira – Histórias e Receitas (2019); todos pela editora DBA; Le Brésil à Table ( Le Bon Marché, Paris, 2013); e Made in Brazil (Larousse, 2014). Criativa, curiosa e antenada, logo percebeu que precisava se aventurar também no mundo digital e ,em 2017, lançou uma plataforma que reúne as suas “Helozices’ – como ela diz – ou seja,  receitas, histórias, viagens. 

 

Pioneirismo é com ela mesma, aliás. Em 1999, em sociedade com a empresária Paula Moraes, abriu o Atelier Gourmand, uma das primeiras escolas de cozinha da capital paulista. Ali, por seis anos, a então advogada divertia-se na tarefa de ensinar. Mas onde foi que Helô aprendeu? A primeira lembrança na cozinha é aos 6 anos, puxando a barra da saia da avó, em alguma das fazendas da família na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e em São Luiz do Paraitinga (SP). Lá pelos 12, 13 anos, a adolescente buscava conhecimento nos livros de culinária dos anos 60 da mãe, já que na época a literatura por aqui era pouca e o que tinha, caríssimo. Já adulta, foi morar em Paris, para acompanhar a carreira do marido e aproveitou para estudar e abocanhar dois diplomas: Le Grand Diplôme de Cuisine e de Pâtisserie da prestigiada escola Le Cordon Bleu.  

 

A decisão de deixar o direito e trocá-lo pelas receitas veio em 2005. Hoje, aos 55 anos, comemora que o Lá da Venda tem também uma filial, no shopping JK Iguatemi, e uma fábrica, o Lá da Vendinha, também em São Paulo. 

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